Isolamento social: a dor da rejeição e os desafios da vida social no TEA

Isolamento social: a dor da rejeição e os desafios da vida social no TEA

Por que tantos autistas se isolam? Entenda a dor da rejeição, os desafios sociais no TEA e como apoiar o pertencimento, especialmente na adolescência.

Tags: Autismo | Isolamento Social | Adolescência | Pertencimento | Neurociência

 

O que é isolamento social e por que ele afeta tanto os autistas?

Isolamento social é quando uma pessoa se afasta do convívio com outras, por escolha ou por exclusão. Em autistas, isso acontece com frequência. Não porque eles não queiram amigos, mas porque muitas vezes não se sentem compreendidos ou têm dificuldade de iniciar e manter conversas e relações sociais.

 

A solidão no autismo: uma dor real

Muita gente ainda acredita que os autistas não ligam para a amizade. Isso não é verdade.

Autistas têm uma forma única de se comunicar. Muitas vezes, falam de forma direta, não compreendem ironias, piadas ou entrelinhas. Isso pode gerar mal-entendidos com pessoas neurotípicas, que interpretam o comportamento como rude, frio ou estranho.

Estudos mostram que pessoas com TEA sentem solidão profunda quando, mesmo desejando, percebem que não conseguem se conectar com os outros.

Essa solidão pode causar tristeza, ansiedade e baixa autoestima, principalmente quando a pessoa tenta se aproximar e é rejeitada ou mal compreendida. Em adolescentes, isso pode levar a quadros de depressão e isolamento extremo.

 

O que acontece no cérebro após a rejeição

A ciência mostra que a rejeição social ativa áreas do cérebro ligadas à dor física, como o córtex cingulado anterior. Isso quer dizer que, para o cérebro, ser excluído causa dor literal.

Em autistas, esse tipo de dor costuma ser ainda mais intenso. Um estudo da New York Academy of Sciences revelou que, ao vivenciarem rejeição, as ondas cerebrais dos autistas mostram uma reação mais forte, e isso se reflete em maior tristeza e retraimento.

Rejeições repetidas podem fazer o autista pensar: “Não vale a pena tentar de novo.”
Assim, o isolamento vai crescendo como uma proteção emocional.

 

A adolescência e o desejo de pertencer

Pesquisas revisadas mostram que encontrar um senso de pertencimento está correlacionado com bem‑estar emocional e com qualidade de vida.

Na adolescência, a vontade de fazer parte de um grupo aumenta muito. Mas, para os autistas, esse período costuma ser ainda mais difícil. Eles sentem que não se encaixam, mas ainda assim querem pertencer.

Esse conflito interno gera muito sofrimento. A pessoa tenta interagir, mas se frustra quando não é compreendida ou aceita. Isso reforça a sensação de inadequação e faz com que muitos adolescentes autistas se isolem ainda mais.

 

Exemplo prático de uma situação de isolamento

Um adolescente com TEA começa o ensino médio. Ele deseja fazer amizades, mas tem dificuldades com conversas informais. Quando tenta se aproximar dos colegas, fala de forma muito direta ou sobre assuntos que os outros não entendem. Com o tempo, os colegas passam a evitá-lo.

Sentindo-se excluído e sem saber o que está “errado”, ele para de tentar. Começa a comer sozinho, evita os intervalos e prefere ficar recluso fazendo outra coisa. Aos poucos, a escola que poderia ser um espaço de crescimento se transforma em um lugar de dor.

 

Como podemos ajudar?

O isolamento social não é “frescura”, “timidez” ou “falta de interesse”. É uma resposta emocional profunda a experiências negativas repetidas. Por isso, precisamos:

  • Ensinar habilidades sociais com empatia e respeito ao tempo de cada pessoa;

  • Criar espaços seguros e livres de bullying;

  • Promover inclusão verdadeira, com escuta ativa e adaptações reais;

  • Valorizar os jeitos diversos de ser e comunicar.

Afinal, todo ser humano precisa e merece sentir que pertence a algum lugar.

 

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