Criança grande também precisa de colo

Abraços, carinho e acolhimento não têm idade. Entenda por que o afeto continua essencial para fortalecer o vínculo e a segurança emocional dos filhos.

Existe uma ideia muito presente na criação dos filhos de que, conforme a criança cresce, precisamos diminuir o colo para estimular sua independência. Mas será que carinho, abraço e proximidade física têm prazo de validade?

Eu acredito que precisamos olhar para essa questão com mais sensibilidade.

O colo é uma das primeiras formas de comunicação entre pais e filhos. Antes mesmo de aprender a falar, o bebê encontra no contato com o adulto uma maneira de se sentir protegido, acolhido e seguro.

E essa necessidade de conexão não desaparece quando a criança aprende a andar, começa a frequentar a escola ou cresce o suficiente para não caber mais tão facilmente nos nossos braços.

Uma criança de oito, dez ou doze anos também pode precisar de colo. Às vezes, depois de um dia difícil, de frustração ou simplesmente porque quer estar perto de alguém que ama.

O contato físico afetuoso, quando desejado e respeitado, pode ajudar a criança a se acalmar e fortalecer a sensação de segurança na relação com seus cuidadores.

Isso não significa que todas as crianças gostem de abraços. Algumas, especialmente aquelas com sensibilidades sensoriais, podem se sentir desconfortáveis com determinados tipos de toque. E está tudo bem. O carinho também pode aparecer em uma mão estendida, em sentar ao lado, em uma conversa tranquila ou na companhia silenciosa.

O importante é que a criança saiba que pode buscar acolhimento sem ser ridicularizada por isso.

Quantas vezes ouvimos frases como “você já está grande para ficar no colo” ou “assim vai ficar mimado”? Precisamos tomar cuidado com essas mensagens. Oferecer afeto não é o mesmo que impedir a criança de desenvolver autonomia.

Pelo contrário, relações seguras podem favorecer a confiança necessária para explorar o mundo, enfrentar desafios e aprender a lidar com as próprias emoções.

E talvez exista algo que os adultos também precisem lembrar: nossos filhos crescem muito rápido. Aos poucos, deixam de pedir ajuda para tantas coisas. Mas isso não significa que deixem de precisar da nossa presença.

O colo muda de tamanho e de forma ao longo da vida. O que não precisa mudar é a certeza de que existe alguém disponível para acolher.

Com carinho,

Mayra Gaiato

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