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Autismo e Transtorno do Estresse Pós-Traumático: uma discussão para Janeiro Branco

Estamos em janeiro de 2024. E o que isso tem de especial? A campanha de conscientização Janeiro Branco acaba de completar 10 anos de existência! O tema escolhido para esse ano foi: “saúde mental enquanto há tempo! O que fazer agora?” Hoje, para endossar a campanha, vamos falar sobre a relação entre autismo e transtorno do estresse pós-traumático.

Atualmente, Janeiro Branco é institucionalizado nacionalmente pela Lei nº 14.156 e a OMS (Organização Mundial da Saúde) reconhece seus esforços no âmbito internacional. Alguns dados que ajudam a justificar isso:

  • Na América Latina, lideramos o ranking de pessoas com ansiedade e depressão. São 19 milhões de habitantes com as condições;
  • 9,3% da população brasileira sofre com ansiedade, segundo dados da OMS.
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Tudo isso traz à tona um fato: saúde mental é um assunto urgente, sobre o qual precisamos falar.

Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT)

O transtorno do estresse pós-traumático é um tipo de distúrbio de ansiedade que se desenvolve em indivíduos que vivenciaram um episódio considerado traumático. Nesses casos, a amígdala cerebral, estrutura responsável pelas emoções relacionadas ao medo e pelas respostas fisiológicas do nosso corpo a situações de perigo e ameaça, fica desregulada.

Em outras palavras, isso significa que o indivíduo com TEPT pode vivenciar as mesmas sensações de dor e sofrimento que teve no momento do trauma, mesmo sem estar passando por nenhuma situação de perigo.

Dividimos os sintomas do TEPT em três grandes grupos:

  • Reexperiência traumática: lembranças do trauma, flashbacks, pesadelos;
  • Isolamento social: a pessoa se fecha para situações e atividades que possam remeter ao trauma; 
  • Hiperexcitabilidade psíquica e psicomotora: aumento da frequência cardíaca, sudorese, hipervigilância, irritabilidade, distúrbios do sono etc.

Autismo e Transtorno do Estresse Pós-Traumático

Em primeiro lugar, quando falamos de transtorno do espectro autista (TEA) e transtorno do estresse pós-traumático, precisamos lembrar que a régua de limite de indivíduos autistas é muito menor do que a de neurotípicos.

Segundo o Dr. Rodrigo Silveira, médico psiquiatra e co-fundador do Instituto Singular, “autistas não veem e sentem o mundo da mesma forma que pessoas neurotípicas. Por questões sensoriais, por exemplo, eles podem vivenciar uma situação de forma muito mais intensa do que uma pessoa que não está no TEA.”

Isto é, eventos que podem parecer triviais para a população típica podem ser extraordinariamente impactantes para autistas devido à rigidez mental e sensibilidade sensorial. Nesses casos, experiências como mudanças de rotina, exclusão ou bullying podem ser intensos o suficiente para desencadear traumas e, posteriormente, o desenvolvimento do TEPT.

No espectro autista, a manifestação dos sintomas do TEPT é diferente. Observamos não apenas as características típicas, mas também a perda de habilidades comunicativas e de autocuidado, o aumento de estereotipias, insônias e alterações de humor.

A vulnerabilidade do TEA

Apesar da relação entre autismo e transtorno do estresse pós-traumático ainda ter sido pouco estudada, já temos indícios na literatura que mostram que autistas são mais suscetíveis ao aparecimento do transtorno. Isso se dá principalmente na fase adulta, quando a exposição a situações sociais estressantes é maior.

Dados nos mostram que, quem está no espectro, pode ter uma chance até 8 vezes maior de desenvolver o TEPT do que alguém com desenvolvimento típico. Além disso, um questionário sobre experiências de eventos estressantes respondido por 59 autistas adultos nos mostra que, dentro dessa amostra, 60% dos indivíduos relataram um provável TEPT em algum momento da vida.

O grande problema é que, muitas vezes, por já apresentarem características diferentes da população típica, com a ocorrência de crises, necessidade de suporte, terapias e atrasos no desenvolvimento, os sintomas do TEPT podem passar despercebidos ou até mesmo negligenciados.

Abordagem atenta e personalizada

Ainda não se sabe ao certo o porquê de algumas pessoas serem mais vulneráveis ao surgimento do TEPT. É comum associar a condição a outras comorbidades e, ademais, pesquisas já apontaram fatores genéticos, ambientais, familiares, cognitivos e até características de personalidade como sendo importantes para saber quem terá e quem não terá o quadro.

Em meio aos esforços do Janeiro Branco para promover conscientização a respeito da saúde mental, precisamos destacar a relação pouco estudada entre o TEPT e o TEA. Para atender às necessidades únicas de indivíduos autistas, é essencial ter cuidado redobrado nas avaliações. As experiências de vida e o histórico do paciente, bem como as particularidades do seu nível de suporte no TEA, serão determinantes para entender o cenário como um todo e quais as melhores abordagens terapêuticas para tratamento.

Bônus

Neste Janeiro Branco, vamos cuidar da saúde mental com o Instituto Singular? Nosso curso gratuito “Cultivo do Equilíbrio Emocional” é aberto a todos que queiram aprender a lidar melhor com as suas emoções ao mesmo tempo em que enfrentam os desafios do dia a dia.

Ministrado pelo Dr. Rodrigo Silveira, vamos te capacitar para iniciar e manter um trabalho de autoconhecimento, reduzir o estresse e promover o desenvolvimento da felicidade, afinal, precisamos de “saúde mental enquanto há tempo.”

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Referências

  • Haruvi-Lamdan N, Horesh D, Zohar S, Kraus M, Golan O. Autism Spectrum Disorder and Post-Traumatic Stress Disorder: An unexplored co-occurrence of conditions. Autism. 2020;24(4):884-898. doi:10.1177/1362361320912143
  • SCHAEFER, Luiziana Souto; LOBO, Beatriz de Oliveira Meneguelo; KRISTENSEN, Christian Haag. Reações pós-traumáticas em adultos: como, por que e quais aspectos avaliar?. Temas psicol.,  Ribeirão Preto ,  v. 20, n. 2, p. 459-478, dez.  2012 .   Disponível em <https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X2012000200014&lng=pt&nrm=iso>.
  • Rumball F, Happé F, Grey N. Experience of Trauma and PTSD Symptoms in Autistic Adults: Risk of PTSD Development Following DSM-5 and Non-DSM-5 Traumatic Life Events. Autism Res. 2020;13(12):2122-2132. doi:10.1002/aur.2306
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