Copa, festas juninas e fogos: 7 estratégias para ajudar crianças neurodivergentes nesta época do ano

Fogos, rojões, festas juninas e comemorações da Copa podem ser desafiadores para crianças neurodivergentes. Veja estratégias práticas para reduzir a sobrecarga sensorial.

Se você tem um filho neurodivergente, provavelmente já percebeu que junho e julho podem ser meses desafiadores.

Enquanto muitas famílias estão animadas com os jogos da Copa, as festas juninas, os arraiais da escola e as comemorações de bairro, outras estão se preparando para algo bem diferente.

Os fogos, os rojões, caixas de som, apitos, estalinhos, música alta e eventos lotados.

E talvez você já tenha vivido essa cena.

O barulho começa e seu filho tapa os ouvidos. Fica agitado.

Procura um lugar para se esconder.

Pede para ir embora ou entra em uma crise que parece surgir sem explicação.

Mas, na maioria das vezes, existe uma explicação.

E ela não está na falta de limites.

O problema nem sempre é o volume

Uma das primeiras coisas que explico às famílias é que nem todo cérebro percebe os sons da mesma forma.

Para muitas crianças autistas e neurodivergentes, determinados sons não são apenas incômodos.

Eles podem ser percebidos como extremamente intensos, invasivos e até dolorosos.

Enquanto algumas pessoas escutam um rojão e seguem conversando normalmente, outras sentem o corpo inteiro entrar em estado de alerta.

Por isso, quando uma criança reage de forma intensa, não significa exagero.

Muitas vezes significa sofrimento real.

O cérebro está tentando se proteger

Quando uma criança tapa os ouvidos, tenta fugir ou pede para sair de um ambiente muito barulhento, ela não está tentando desafiar os pais.

Na maioria das vezes, está tentando se proteger.

O cérebro percebe aquele estímulo como excessivo e busca formas de reduzir a sobrecarga.

Mudar essa forma de olhar costuma ajudar muito as famílias.

Porque a pergunta deixa de ser:

“Como faço meu filho aguentar?”

E passa a ser:

“Como posso ajudá-lo a se sentir seguro?”

7 estratégias que podem ajudar de verdade

1. Antecipe o que vai acontecer

Conte para a criança onde vocês vão, o que ela encontrará no local e quais sons podem aparecer.

Quando o cérebro sabe o que esperar, tende a lidar melhor com a situação.

2. Mostre imagens ou vídeos antes

Se possível, mostre fotos da festa, vídeos do local ou explique como costuma funcionar o evento.

Antecipação reduz ansiedade.

3. Leve abafadores ou protetores auditivos

Eles não são exagero nem frescura.

Para muitas crianças, podem fazer toda a diferença entre conseguir participar ou precisar ir embora.

4. Identifique um espaço de fuga

Antes de chegar ao local, procure um ambiente mais tranquilo para onde vocês possam ir caso a criança precise de uma pausa.

5. Respeite os sinais precoces

Nem sempre a crise começa quando a criança chora.

Às vezes ela começa quando a criança fica inquieta, irritada, mais silenciosa ou começa a buscar isolamento.

Perceber esses sinais ajuda a agir antes da sobrecarga aumentar.

6. Não force adaptação

Um erro muito comum é pensar que a criança precisa permanecer no ambiente para “aprender a se acostumar”.

Adaptação não acontece através do sofrimento.

Ela acontece através de experiências graduais e seguras.

7. Entenda que participar não significa fazer tudo

Talvez seu filho consiga ficar uma hora na festa e não quatro.

Talvez veja os fogos de longe.

Talvez precise de pausas durante o evento.

E tudo bem.

Inclusão não é participar exatamente como todo mundo.

É conseguir participar da forma que faz sentido para aquele cérebro.

O que eu quero que você leve deste texto

Nesta época do ano, muitas famílias se preocupam em como fazer seus filhos participarem dos eventos, das festas e das comemorações.

Mas talvez a pergunta mais importante seja outra:

Como fazer essa participação acontecer sem sofrimento?

Porque o objetivo não é fazer a criança suportar o desconforto.

É ajudá-la a construir experiências positivas.

Quando existe acolhimento, previsibilidade e adaptações simples, muitas crianças conseguem aproveitar muito mais do que imaginamos.

E, às vezes, uma pequena mudança no ambiente faz uma enorme diferença no cérebro.

Com carinho,

Mayra Gaiato – Psicóloga e Neurocientista

Se você busca orientações práticas, baseadas em ciência e aplicáveis à vida real das famílias, continue acompanhando meus conteúdos.

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