Tags: Autismo | Genética | Desenvolvimento Infantil | Neurociência
“Será que meu filho é autista por minha causa?”
“Eu tenho outro filho, ele também será autista?”
“Na minha família ninguém tem autismo, como isso é possível?”
Essas perguntas são muito comuns no consultório e nas redes sociais. Quando uma criança recebe o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), os pais buscam respostas, e entender a origem do autismo costuma ser a primeira delas.
Essa dúvida vem da culpa: muitos cuidadores acreditam, equivocadamente, que fizeram algo de errado. E isso precisa ser desconstruído com informação segura.
O que significa ser genético? E hereditário?
Aqui está um ponto essencial: os termos genético e hereditário não são sinônimos.
- Genético: o autismo tem origem em alterações nos genes. Isso pode envolver mutações, deleções, duplicações ou variações no DNA que afetam o desenvolvimento do cérebro. Essas alterações podem ser herdadas dos pais ou surgirem de forma espontânea no desenvolvimento do bebê.
- Hereditariedade: diz respeito à transmissão direta dos genes dos pais para os filhos. Ou seja, quando falamos em hereditariedade, estamos falando da passagem de material genético de uma geração para outra.
Em resumo: o autismo é genético, mas nem sempre é hereditário.
📚 Leitura complementar: UCLA Health – Is Autism Genetic?
O que a ciência já descobriu sobre genética e autismo
Estudos mostram que o TEA é uma condição altamente influenciada por fatores genéticos.
Pesquisas com irmãos gêmeos revelam que a herdabilidade do autismo varia entre 64% e 91%.
Outro estudo envolvendo dados de mais de 2 milhões de pessoas em cinco países apontou que cerca de 80% do risco de autismo está ligado a fatores genéticos, o que reforça o papel do DNA no desenvolvimento da condição.
Essas pesquisas mostram que muitas variações no DNA contribuem para o autismo. Algumas são mais comuns na população e outras são muito raras ou únicas. Isso reafirma a complexidade em rastrear a origem do TEA.
É possível ter autismo sem histórico familiar?
A ausência de casos na família não exclui a possibilidade de autismo. Isso acontece porque muitas mutações surgem de forma espontânea (chamadas de mutações de novo), ou seja, não estavam presentes nos pais.
Essas alterações podem acontecer no óvulo, no espermatozoide ou nas primeiras divisões celulares após a fecundação.
Quais genes estão relacionados ao autismo?
A ciência já mapeou centenas de genes que, isoladamente ou combinados, aumentam a probabilidade de desenvolver o TEA. Entre os mais estudados, estão genes ligados à formação sináptica, plasticidade neuronal e desenvolvimento de redes cerebrais.
Exemplo: alterações no gene SHANK3 estão ligadas a casos de autismo com maior necessidade de suporte. Já a Síndrome do X Frágil, uma condição hereditária, está presente em uma pequena parcela de pessoas com autismo.
Essas descobertas ajudam a entender a pluralidade na base genética e por que cada pessoa autista é única.
Os fatores ambientais influenciam?
Fatores como idade paterna avançada, complicações na gestação ou exposição a poluentes podem influenciar o risco, mas não causam autismo sozinhos. Eles interagem com uma predisposição genética já existente.
Lembrete importante!
Vacinas não causam autismo. Esse mito foi desmentido por inúmeros estudos e é fruto de uma pesquisa fraudulenta, publicada em 1998 pelo médico Andrew Wakefield. Esta informação é falsa e já foi amplamente retratada pela comunidade científica, como mostra o artigo do Instituto Butantan.
O que compreender a real origem do TEA muda na prática?
Compreender que o autismo tem origem genética (e não por erro de criação ou culpa dos pais) traz alívio e direcionamento.
Isso também permite:
- Apoio emocional sem culpa;
- Avaliações genéticas, quando indicadas;
- Planejamento familiar mais consciente;
- Acesso a terapias baseadas em ciência, como ABA com estratégias naturalistas, adotadas pelo Instituto Singular.
Como agir seguindo a ciência
O autismo é uma condição genética complexa, com influência hereditária em muitos casos, mas não em todos. Ele não é causado por vacinas, telas, alimentação ou estilo de vida parental.
Entender isso é o primeiro passo para acolher com empatia e agir com mais segurança e menos julgamento.
Agende uma avaliação no Instituto Singular
Se você está em dúvida sobre o desenvolvimento do seu filho ou precisa de uma segunda opinião profissional, conte com o Instituto Singular.
Oferecemos atendimento especializado para todas as idades com foco em escuta, acolhimento e ciência.
👉 Clique aqui e agende agora mesmo sua avaliação nas nossas clínicas.
Estamos prontos para caminhar com você e sua família!