Essa é uma situação que preocupa muitas famílias.
A criança perde uma brincadeira, precisa desligar a televisão ou recebe uma negativa e, de repente, começa a gritar, empurrar ou jogar objetos.
No Dia Internacional da Não Violência, celebrado hoje, dia 2 de outubro, quero conversar sobre um aspecto importante do desenvolvimento infantil: sentir raiva é natural, mas aprender o que fazer com ela é uma habilidade que precisa ser ensinada.
O cérebro infantil ainda está desenvolvendo as habilidades necessárias para controlar impulsos, lidar com frustrações e regular emoções intensas.
Quando uma criança fica muito irritada, sistemas cerebrais envolvidos nas respostas emocionais e ao estresse podem entrar em estado de alerta.
Nesse momento, ela pode ter mais dificuldade para acessar habilidades que já conhece, como esperar, conversar ou procurar outra solução.
Isso não significa que toda agressão seja consequência de uma crise emocional.
Às vezes, a criança também aprendeu que bater ou gritar é uma maneira de conseguir aquilo que deseja.
Por isso, precisamos compreender o que acontece antes e depois do comportamento para ensinar uma resposta diferente.
O que fazer quando seu filho bate?
O primeiro passo é interromper a agressão e garantir a segurança de todos.
Com firmeza e tranquilidade, você pode dizer: “Eu entendo que você está bravo, mas não vou deixar você bater”.
Evite longas explicações enquanto a criança está muito alterada.
Nesse momento, ela pode não conseguir prestar atenção ou compreender tudo o que você está dizendo.
Quando estiver mais calma, ajude-a a identificar o que aconteceu e apresente alternativas. Se bateu porque queria um brinquedo, por exemplo, podemos ensiná-la a pedir, esperar sua vez ou solicitar ajuda.
Na ABA Naturalista, aproveitamos situações reais do cotidiano para desenvolver essas habilidades. E elas precisam ser praticadas também nos momentos de tranquilidade, não apenas depois de um episódio de agressividade.
Acolher a emoção não significa aceitar a agressão
Uma criança pode sentir raiva porque perdeu um jogo, porque precisa interromper uma atividade de que gosta ou porque ouviu um “não”.
Nosso papel não é impedir que ela sinta essas emoções, mas ajudá-la a encontrar maneiras adequadas de expressá-las.
Podemos ensinar frases como “Estou bravo”, “Preciso de ajuda” ou “Quero um tempo”, de acordo com suas habilidades de comunicação.
Para crianças que ainda não utilizam a fala, imagens, gestos e outros recursos de comunicação podem cumprir essa função.
Também é importante reconhecer quando ela consegue lidar com uma frustração sem agredir, mesmo que ainda precise de ajuda.
Se as agressões são frequentes, intensas, provocam ferimentos ou prejudicam a convivência, procure uma avaliação profissional para compreender suas possíveis causas e definir os apoios necessários.
Educar não é exigir que uma criança nunca sinta raiva.
É ajudá-la a descobrir que existem outras maneiras de demonstrar o que sente, resolver conflitos e se relacionar com as pessoas.
Com carinho,
Mayra Gaiato Psicóloga e neurocientista