Seu filho sabe pedir ajuda? Essa habilidade também precisa ser ensinada

Reconhecer uma dificuldade, comunicar o que precisa e confiar em alguém são aprendizagens importantes para a autonomia e a segurança emocional das crianças.

Costumamos comemorar quando uma criança aprende a fazer algo sozinha. Amarrar os sapatos, organizar a mochila, resolver uma atividade ou tomar pequenas decisões são conquistas importantes do desenvolvimento.

Mas existe outra habilidade que merece a mesma atenção: saber pedir ajuda.

Nem sempre percebemos como isso pode ser difícil para uma criança.

Algumas insistem em realizar uma tarefa mesmo quando estão frustradas. Outras desistem rapidamente. Há também aquelas que ficam em silêncio porque não sabem explicar o que precisam ou têm receio de incomodar.

Por isso, gosto de lembrar às famílias que autonomia não significa fazer tudo sozinho.

Por que pedir ajuda é tão importante?

Para pedir ajuda, a criança precisa reconhecer que encontrou uma dificuldade, identificar alguém que possa apoiá-la e encontrar uma maneira de comunicar sua necessidade.

Esse processo envolve habilidades de comunicação, percepção das próprias necessidades e resolução de problemas.

Pense em uma criança que não consegue abrir a embalagem do lanche na escola. Se ela sabe pedir ajuda, consegue buscar uma solução. Se não sabe, pode ficar frustrada ou simplesmente deixar de comer.

O mesmo acontece quando não compreende uma atividade, perde um objeto ou enfrenta uma situação desconfortável.

Aprender a pedir ajuda amplia as possibilidades de participação e contribui para a segurança da criança em diferentes ambientes.

Como desenvolver essa habilidade?

Podemos começar pelas situações mais simples do cotidiano.

Quando a criança encontra uma dificuldade, em vez de resolver tudo imediatamente, podemos perguntar: “Você quer tentar mais um pouco ou gostaria de ajuda?”

Assim, oferecemos a oportunidade de escolher e de reconhecer seus próprios limites.

Também podemos ensinar frases práticas, como “Não entendi”, “Você pode me mostrar?” ou “Preciso de ajuda com isso”.

Para crianças com dificuldades de comunicação oral, incluindo algumas crianças autistas, o pedido pode acontecer por gestos, imagens, recursos de comunicação alternativa ou outras formas acessíveis.

O importante é que a necessidade seja compreendida e respeitada.

E quando a criança pede ajuda, nossa resposta faz diferença. Se reagimos com irritação ou críticas, ela pode passar a evitar novos pedidos.

Acolher não significa fazer tudo por ela. Podemos oferecer apenas o apoio necessário para que continue participando da atividade.

Pedir ajuda também é uma forma de proteção

Essa habilidade vai muito além das tarefas escolares.

Uma criança precisa saber que pode procurar um adulto de confiança quando sente medo, está perdida, sofre uma agressão ou enfrenta uma situação que não consegue resolver.

Por isso, é importante conversar sobre quem são as pessoas a quem ela pode recorrer em casa, na escola e em outros ambientes.

Também precisamos demonstrar, na prática, que seus pedidos serão ouvidos.

Se uma criança tenta comunicar que algo a incomoda e é constantemente ignorada, pode aprender que falar não adianta.

Por outro lado, quando encontra adultos disponíveis, desenvolve mais confiança para compartilhar suas necessidades.

Independência também se constrói com apoio

Quero que nossos filhos aprendam a enfrentar desafios, experimentar soluções e conquistar independência. Mas não precisamos ensinar que ser independente é nunca precisar de ninguém.

Ao longo da vida, todos nós buscamos orientação, fazemos perguntas e contamos com outras pessoas.

Com as crianças não é diferente.

Ensinar um filho a pedir ajuda não diminui sua autonomia. É oferecer a ele mais um recurso para explorar o mundo com confiança e segurança.

Com carinho,

Mayra Gaiato-Psicóloga e neurocientista

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