Nas férias, seu filho só quer comer besteira? Antes de brigar, eu observo algumas coisas

Férias mudam a rotina e também a alimentação das crianças. Veja como equilibrar flexibilidade e hábitos saudáveis sem transformar as refeições em um conflito.

As férias chegam e, com elas, uma mudança que costuma aparecer rapidamente dentro de casa: a alimentação.

Os horários ficam mais flexíveis.

Os passeios aumentam.

As guloseimas aparecem com mais frequência.

E muitos pais começam a se preocupar porque a criança parece querer viver de sorvete, salgadinho, refrigerante e doces.

Se você está passando por isso, quero começar dizendo uma coisa importante.

As férias não precisam ser sinônimo de perfeição.

Mas também não precisam significar abandonar completamente a rotina alimentar.

O segredo costuma estar no equilíbrio.

Mudanças de rotina também mudam o comportamento alimentar

Quando a rotina muda, o cérebro percebe.

Dormimos em horários diferentes.

Fazemos menos refeições em casa.

Passamos mais tempo em passeios.

Tudo isso influencia o apetite e as escolhas alimentares.

Para crianças neurodivergentes, essa mudança pode ser ainda mais intensa.

Algumas passam a aceitar apenas alimentos conhecidos.

Outras querem experimentar tudo.

E há aquelas que utilizam determinados alimentos como forma de buscar conforto diante das mudanças da rotina.

Por isso, antes de interpretar esse comportamento como “frescura” ou “falta de limite”, vale observar o contexto.

Flexibilidade não significa perder os combinados

Muitas famílias acreditam que existem apenas dois caminhos: controlar tudo ou liberar tudo.

Na prática, existe um caminho no meio.

É possível tomar um sorvete durante um passeio e, ao mesmo tempo, manter horários para as principais refeições.

É possível comer um lanche diferente em uma viagem sem deixar frutas, água e alimentos nutritivos desaparecerem completamente do dia.

A previsibilidade continua sendo uma grande aliada, mesmo durante as férias.

Envolver a criança faz diferença

Uma estratégia simples que costuma funcionar muito bem é convidar a criança para participar.

Ela pode ajudar a montar a lista de compras.

Escolher uma fruta diferente para experimentar.

Preparar um sanduíche.

Lavar os legumes.

Misturar ingredientes.

Quando participa do processo, ela tende a criar uma relação mais positiva com os alimentos.

E isso vale especialmente para crianças com seletividade alimentar.

As férias são uma ótima oportunidade para cozinhar juntos

Nem sempre temos tempo durante o período escolar.

Mas as férias oferecem algo precioso: experiências compartilhadas.

Preparar uma receita simples trabalha muito mais do que alimentação.

A criança aprende sequência.

Planejamento.

Espera.

Coordenação motora.

Matemática.

Autonomia.

Além disso, cozinhar em família fortalece vínculos e cria memórias afetivas que vão muito além da refeição.

E se meu filho tem seletividade alimentar?

Nesse caso, as férias não são o momento para grandes pressões.

Elas podem ser uma oportunidade para ampliar experiências de forma leve.

A criança pode tocar um alimento novo.

Sentir o cheiro.

Participar do preparo.

Observar outras pessoas comendo.

Nem sempre experimentar será o primeiro passo.

E tudo bem.

Respeitar o tempo da criança costuma produzir resultados muito melhores do que insistir ou obrigar.

Férias também ensinam

Às vezes pensamos que desenvolvimento acontece apenas na escola ou nas terapias.

Mas a mesa de casa também é um espaço de aprendizagem.

É ali que a criança aprende a esperar.

A compartilhar.

A experimentar.

A conversar.

A fazer escolhas.

A perceber os sinais de fome e saciedade.

As férias passam rápido.

Mas as experiências construídas nesse período podem fortalecer hábitos que acompanharão a criança por muitos anos.

Por isso, se eu pudesse deixar apenas uma sugestão, seria esta: aproveite esse tempo para criar momentos à mesa, e não apenas refeições.

Porque alimentar uma criança vai muito além do prato.

Também significa alimentar vínculos, autonomia e desenvolvimento.

Com carinho,

Mayra Gaiato
Psicóloga e Neurocientista

Se você busca orientações práticas, baseadas em ciência e aplicáveis à vida real das famílias, continue acompanhando meus conteúdos.

Compartilhe:
Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Email

Não encontrou o que precisava?

Entre em contato com a gente!