Uma das perguntas que mais recebo quando as férias chegam é:
“Mayra, o que eu faço com meu filho em casa?”
E eu sempre começo respondendo da mesma forma:
Você não precisa transformar sua casa em uma escola.
Nem em uma clínica.
Nem em um parque de diversões funcionando o dia inteiro.
A boa notícia é que o cérebro infantil aprende justamente naquilo que chamamos de vida real.
Na ABA Naturalista, acreditamos que desenvolvimento não acontece apenas durante uma terapia ou uma atividade estruturada.
Ele acontece quando a criança participa da vida.
E as férias podem ser uma oportunidade maravilhosa para isso.
Organizar também é aprender
Quando uma criança ajuda a organizar livros, guardar brinquedos ou separar objetos, ela não está apenas ajudando em uma tarefa doméstica.
Ela está desenvolvendo habilidades importantes.
Planejamento.
Organização.
Atenção.
Memória de trabalho.
Autonomia.
No início, talvez ela precise de ajuda.
Mas, aos poucos, começa a compreender sequências, categorias e responsabilidades.
E, mais importante: começa a perceber que é capaz.
Cozinhar é uma aula de neurodesenvolvimento
Já falei outras vezes sobre como gosto de usar a cozinha como ferramenta de desenvolvimento.
Nas férias, isso pode acontecer com ainda mais frequência.
Fazer um bolo.
Preparar um sanduíche.
Misturar ingredientes.
Separar utensílios.
Esperar o tempo do forno.
Tudo isso trabalha habilidades fundamentais.
A criança exercita linguagem, coordenação motora, planejamento, matemática, atenção e tolerância à espera.
Além disso, cozinhar junto fortalece vínculos.
E desenvolvimento também acontece nas relações.
Plantar um feijão pode ensinar muito mais do que botânica
Lembra da experiência do feijão no algodão?
Ela continua sendo uma atividade fantástica.
Quando uma criança planta uma semente e acompanha seu crescimento ao longo dos dias, ela aprende conceitos importantes sobre tempo, espera, observação e causa e efeito.
Ela percebe que algumas coisas não acontecem imediatamente.
Que crescimento exige cuidado.
Que mudanças acontecem aos poucos.
Do ponto de vista do cérebro, estamos trabalhando atenção sustentada, previsibilidade, curiosidade, planejamento e regulação emocional.
E existe algo muito bonito nisso.
A criança aprende que ela também pode crescer e se desenvolver passo a passo.
Brincar ao ar livre continua sendo uma das melhores intervenções que conhecemos
Nem sempre precisamos de brinquedos sofisticados.
Uma praça.
Um parque.
Uma caminhada.
Andar de bicicleta.
Brincar com água.
Observar árvores.
Procurar folhas diferentes.
Tudo isso oferece ao cérebro experiências sensoriais, motoras e sociais extremamente importantes.
O movimento ajuda na regulação emocional.
O contato com a natureza reduz o estresse.
A exploração fortalece a curiosidade.
E a brincadeira livre desenvolve criatividade e resolução de problemas.
E se eu continuar trabalhando nas férias?
Essa talvez seja uma das maiores angústias das famílias.
Muitos pais e mães se sentem culpados porque não conseguem passar o dia inteiro brincando.
Mas quero te contar uma coisa importante.
Seu filho não precisa de entretenimento constante.
Ele precisa de oportunidades de participação.
Se você está trabalhando em casa, pode convidá-lo a ajudar a organizar materiais.
Separar objetos.
Montar listas.
Preparar um lanche.
Regar uma planta.
Dobrar roupas.
Participar da vida real.
Porque o desenvolvimento não acontece apenas quando estamos brincando.
Ele também acontece quando pertencemos.
Com carinho,
Mayra Gaiato
Psicóloga e Neurocientista