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Distúrbios da aprendizagem

22.06.2022
Artigo Outros transtornos
A musicoterapia  tem  sido uma  das  modalidades  terapêuticas  mais  utilizadas  no processo de intervenção e  tratamento de pessoas com TEA
Confira os principais distúrbios de aprendizagem

A temática da aprendizagem, sua aquisição, bem como as consequências dos distúrbios da mesma para crianças típicas e atípicas, é um tema recorrente na literatura, e alvo de estudos em especial para profissionais de saúde e educação, que tem por objetivo identificar as causas e formas de tratamento adequado para crianças que forem diagnosticadas dentro de tal condição.

A definição de aprendizagem pode ser alterada a partir da abordagem teórica do autor, tanto quanto o viés de explicação da mesma, uma vez que partindo de pressupostos distintos a explicação sofre alterações, como por exemplo distinções da psicologia para a neurologia. Catania (1999), autor com embasamento teórico da análise do comportamento traz sobre a aprendizagem que:

“Devemos de início encarar o fato de que não seremos capazes de definir aprendizagem. Não há definições satisfatórias. Ainda assim, podemos estudar a aprendizagem. Fazemos isso sempre que observamos como os organismos vêm a se comportar de maneiras novas” (Catania, 1999, p. 22).

Para Brandão (1995) a aprendizagem pode ser definida como aquisição de novos conhecimentos do meio, cujo resultado é a modificação do comportamento. De acordo com Hubner, Moreira et al. (2016) ela pode ser qualquer mudança duradoura na maneira como os organismos respondem ao ambiente.

A partir do exposto, pode-se pensar como identificar os Distúrbios de Aprendizagem (DA). De acordo com Ciasca (2003) no início do processo de escolarização, a criança pode apresentar algumas dificuldades no aprendizado da leitura, escrita e cálculo.  Contudo é importante que se esclareça as diferenças entre dificuldades escolares e distúrbios de aprendizagem. As mesmas são postas a seguir.

1. Dificuldades Escolares (DE) estão relacionadas a problemas de origem e ordem pedagógica, social, cultural e/ou emocional.

2. Distúrbios de Aprendizagem (DA) estão relacionados a uma disfunção no Sistema Nervoso Central (SNC), caracterizada por uma falha no processo de aquisição e/ou desenvolvimento das habilidades escolares, que resultam em prejuízos no processamento da informação.

As autoras Ciasca e Rossini (2000) indicam que o distúrbio é uma perturbação no ato de aprender, marcado por alterações nos padrões de aquisição, assimilação, utilização e armazenamento da informação, resultantes de uma disfunção neurológica.

Salienta-se, todavia, que o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) não é um distúrbio da aprendizagem, mas podem afetar tal processo em função de suas características, como a desatenção, baixa concentração e rendimento educacional reduzido no comparativo a outros colegas de sala.

Os principais Distúrbios da Aprendizagem são:

Dislexia

Dificuldade no processo de aprendizagem da leitura e da escrita. Caracteriza-se por uma leitura e escrita marcadas por trocas, omissões, junções e aglutinações de grafemas; confusão entre letras e sílabas, entre outras. (Rahul et al., 2021; Shaywitz et al., 2021).

Disgrafia

Incapacidade de o indivíduo produzir uma escrita culturalmente aceitável, apesar de possuir nível intelectual adequado, receber a devida instrução e ser submetido ao mesmo processo de prática da escrita no decorrer de sua formação acadêmica (Rocha et al., 2022).

Discalculia

Caracterizada pelo prejuízo da habilidade de lidar com conceitos e símbolos matemáticos, sobretudo no reconhecimento numérico e raciocínio matemático, afetando de 3% a 6% da população (Ciasca, 2015; ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA, 2014).

Os Transtornos Específicos da Aprendizagem não são raros, eles apresentam uma prevalência estimada de 5 a 15% das crianças em idade escolar (DSM-5, 2014). Porém, apesar da alta incidência, estes transtornos são subdiagnosticados no Brasil (Altreider, 2016). É importante apontar que apesar das dificuldades escolares, as pessoas com DA’s possuem bom nível de inteligência.

Para o tratamento e processo de intervenção adequados é imprescindível que uma equipe interdisciplinar esteja acompanhando a pessoa em questão, a fim de que o diagnóstico seja preciso, seguro e baseado em uma visão plural, por fonoaudiólogo, psicólogo e pedagogo. A avaliação interdisciplinar possibilita uma investigação global dos aspectos biopsicossociais do desenvolvimento e da aprendizagem, permitindo a redução dos erros de compreensão da situação, garantindo a confiabilidade do diagnóstico e que as intervenções sejam fundamentadas em práticas adequadas para cada indivíduo (Ciasca et al., 2015).

Referências:

Altreider, A. Dislexia: varlendo contra o vento. In: Rotta, N. T; Filho, C. A. B.; Bridi, F. R. S. Neurologia e Aprendizagem: Abordagem Multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2016.

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. DSM-V. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 5º ed., 2014.

Brandão, M. L. Psicofisiologia. Atheneu, São Paulo, 1995. 

Catania, A. C. Aprendizagem: comportamento, linguagem e cognição. 4ª ed. Artes Médicas Sul, São Paulo, 1999. 

Ciasca SM (org). Distúrbios de Aprendizagem: proposta de avaliação interdisciplinar. Paulo: Casa do Psicólogo, 2003, 220p.

Ciasca SM, Rodrigues SD, Azoni CAS, Lima RF. Transtornos de aprendizagem: neurociência e interdisciplinaridade. Ribeirão Preto: Book Toy; 2015. 

Ciasca, S. M.; Rossini, S. D. R. Distúrbios de aprendizagem: mudanças ou não? Correlação de dados de uma década de atendimento. Temas sobre desenvolvimento, v.8, n.48, p.11-16, 2000.

Hubner, M. M. C.; Moreira, M.B. e cols. Temas clássicos sob a ótica da análise do comportamento. Fundamentos de psicologia. Guanabara Koogan- Rio de Janeiro. 2016.

Rahul, D. R., & Ponniah, R. J. (2021). The Modularity of Dyslexia. Pediatrics and neonatology, 62(3), 240–248.

Rocha Cabrero, F., & De Jesus, O. (2022). Dysgraphia. In StatPearls. StatPearls Publishing.

Shaywitz, S. E., Shaywitz, J. E., & Shaywitz, B. A. (2021). Dyslexia in the 21st century. Current opinion in psychiatry, 34(2), 80–86.

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Autor(a): Dra. Marina Cristina Zotesso

Doutora e Mestre em psicologia

Artigo de autoria de Dra. Marina Cristina Zotesso. Todos os artigos deste site são escritos por profissionais especializados em autismo e desenvolvimento infantil.

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