Seu filho demora para dormir? O que eu observo antes de falar sobre sono

Seu filho demora para dormir? Entenda os fatores que podem influenciar o sono infantil e descubra estratégias práticas para melhorar a rotina noturna.

Nem todo problema de sono começa na hora de dormir.

Essa é uma das primeiras coisas que costumo explicar quando uma família me procura preocupada porque o filho demora para pegar no sono, acorda várias vezes durante a noite ou simplesmente parece não conseguir desligar.

Muitas vezes, os pais chegam focados apenas no momento em que a criança vai para a cama.

Mas, na prática, o sono começa muito antes disso.

Ele começa na rotina.

Nos estímulos que essa criança recebeu ao longo do dia.

No ambiente.

Na forma como o corpo aprendeu a reconhecer os sinais de que está chegando a hora de descansar.

Por isso, antes de pensar em qualquer estratégia para o sono, eu gosto de observar algumas coisas.

Como foi o dia dessa criança?

Pode parecer uma pergunta simples, mas ela costuma trazer respostas importantes.

Essa criança teve momentos de movimento?

Brincou?

Correu?

Teve oportunidades de gastar energia?

Participou de atividades prazerosas?

Ou passou boa parte do dia entre telas e atividades sedentárias?

Nosso cérebro precisa de contrastes.

Precisa entender quando é hora de estar ativo e quando é hora de desacelerar.

Quando isso não acontece, o sono costuma sentir os efeitos.

O papel das telas

Esse é um tema delicado porque eu sei que a vida real das famílias nem sempre é simples.

Muitas mães trabalham.

Muitos pais chegam cansados.

Nem sempre existe rede de apoio.

Por isso, eu não gosto de discursos que culpam as famílias.

Mas também não posso ignorar o que a ciência já nos mostra.

As telas oferecem uma combinação muito potente de estímulos, luz e recompensa imediata.

E isso pode dificultar o processo natural de desaceleração que acontece antes do sono.

Sempre que possível, vale a pena reduzir o uso de telas próximo ao horário de dormir e substituí-las por atividades mais calmas e previsíveis.

O sono começa antes da cama

Outro ponto que eu sempre observo é o ambiente e os sinais que o corpo está dando.

Luzes fortes, televisão ligada, muito barulho ou uma casa ainda muito agitada podem dificultar que o cérebro entenda que chegou a hora de desacelerar. 

Por isso, criar uma rotina mais tranquila antes de dormir costuma ajudar bastante. 

Um banho, uma história, uma conversa ou uma música calma já podem sinalizar ao cérebro que o dia está chegando ao fim.

Também vale a pena observar os sinais de sono. 

Algumas crianças bocejam, ficam mais quietas ou procuram mais contato físico. Outras ficam irritadas, agitadas ou parecem “ligadas no máximo”. E é aí que muitas famílias se confundem. 

Nem toda agitação no final do dia significa falta de sono. Muitas vezes, ela é justamente um sinal de cansaço.

O sono não é apenas um momento de descanso. 

É durante o sono que o cérebro consolida aprendizados, organiza memórias, regula emoções e sustenta processos fundamentais para a atenção, o comportamento e o desenvolvimento infantil.

Por isso, quando uma criança apresenta dificuldades para dormir, eu raramente olho apenas para a hora em que ela vai para a cama. 

Eu observo o dia inteiro: a rotina, os estímulos, as telas, o ambiente e os sinais do corpo. Muitas vezes, as respostas estão justamente no que acontece antes do sono chegar.

Porque, muitas vezes, a solução não está em mudar a hora de dormir.

Está em entender tudo o que aconteceu antes dela.

E quando começamos a olhar para o sono dessa forma, muitas respostas começam a aparecer.

Com carinho,

Mayra Gaiato
Psicóloga e Neurocientista

Se você busca orientações práticas, baseadas em ciência e aplicáveis à vida real das famílias, continue acompanhando meus conteúdos.

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